Diversas situações podem levar uma pessoa a precisar de uma transfusão de sangue. São, na maioria, os casos de trauma que podem ocasionar em uma hemorragia, mas pacientes com câncer e portadores de algumas doenças genéticas que afetam o sistema sanguíneo também podem precisar de sangue ou de seus derivados para diminuir as complicações e melhorar o estilo de vida.
O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), gerido pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), mantém uma rede estruturada para atendimento de pacientes que necessitam de transfusões e acompanhamento hematológico frequentes. Atualmente, a rede estadual de saúde atende em Curitiba 96 pacientes que necessitam de transfusões constantes, sendo 71 da Capital, sete de Cascavel, sete de Londrina, seis de Maringá, quatro de Ponta Grossa e um de Apucarana.
Leice Vieira, 43 anos, é uma dessas pacientes atendidas pelo ambulatório do Hemepar. Ela é portadora de talassemia. O diagnóstico foi dado ainda na infância. “É uma doença hereditária, meus pais tinham traço e conforme a junção genética desses traços eu vim com a doença, no nível maior, que exige tratamento. Quando nasci, eu era muito pálida, muito quieta, não chorava. Minha mãe achou que tinha alguma coisa errada e me levou ao médico. Depois dos exames descobriram a doença. Com 8 meses, iniciei o tratamento frequente”, conta.
A paciente é moradora de Guaratuba, no Litoral, e a cada três semanas recebe a transfusão de sangue em Curitiba. O tratamento contínuo faz diferença em sua rotina, já que a transfusão é um dos métodos mais eficazes para garantir qualidade de vida às pessoas que necessitam desse cuidado. “No Paraná, não tem o que reclamar. Eles dão bastante suporte”, afirma.
O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, reforça a importância da doação de sangue e como o Estado busca constantemente os melhores métodos para cuidar da saúde dos paranaenses, tornando-se referência nesse tipo de tratamento. “Quando falamos em doação de sangue, estamos pensando também nessas pessoas que precisam com frequência fazer a transfusão para ter qualidade de vida e o Paraná tem realizado investimentos na área da saúde e no fortalecimento dos atendimentos, garantindo assistência e qualidade de vida aos pacientes”, diz.
“Esse cuidado impacta não apenas quem recebe o tratamento, mas também os familiares. O Paraná se destaca por sua rede estruturada de atendimento em hemoterapia e transfusão de sangue. O cuidado, a cautela e a atenção contínua aos pacientes com doenças hematológicas demonstram o trabalho aprofundado e especializado desses profissionais de saúde”, acrescenta.
DOENÇAS – Médica hematologista, Janine Reinaldinho, que trabalha há nove anos no ambulatório do Hemepar, explica como funciona o atendimento aos pacientes com coagulopatias e hemoglobinopatias. “Os pacientes são pré-agendados, sabemos os dias que eles virão. Então realizamos a reserva das bolsas, chamando os doadores fenotipados para fazer a coleta prévia”, diz.
A estudante de Pedagogia Ana Beatriz Saturnino, de 19 anos, é portadora de anemia falciforme. A doença foi descoberta por meio da triagem neonatal, conhecida como Teste do Pezinho. “As transfusões sempre foram recorrentes na minha vida. A primeira de que me lembro foi quando eu tinha sete anos, quando precisei fazer uma cirurgia para a retirada das amígdalas. Realizar a transfusão sempre me ajudou a ter uma qualidade de vida muito boa”, diz.
“Vocês não têm noção do quão importante é uma doação de sangue para quem precisa. Nós conseguimos ter uma qualidade de vida muito melhor com a doação de vocês. Então, por favor, doem sangue, porque a gente precisa”, afirma.
A talassemia e a anemia falciforme são doenças genéticas que afetam a molécula de hemoglobina presente nos glóbulos vermelhos. A hemoglobina é a proteína responsável por se ligar ao oxigênio e transportá-lo pelo corpo. O termo utilizado para doenças que afetam essa proteína é “hemoglobinopatia”. Embora ambas sejam classificadas como hemoglobinopatias, elas diferem quanto ao tipo de alteração genética e ao seu comportamento no organismo.
A talassemia causa anemia crônica devido a defeitos na produção de glóbulos vermelhos, o que exige transfusões regulares e controle de ferro. A anemia falciforme pode se manifestar de formas diferentes em cada indivíduo. Algumas pessoas apresentam apenas sintomas leves, enquanto outras podem desenvolver sinais mais intensos. Os sintomas geralmente começam a aparecer na segunda metade do primeiro ano de vida da criança.
ATENDIMENTO – O Hemepar é responsável pela coleta, armazenamento, processamento, transfusão e distribuição de sangue para hospitais públicos, privados e filantrópicos que atuam em todas as regiões do Paraná. Ele atua em rede, por meio de suas 23 unidades localizadas no Estado. O sistema atende à demanda de fornecimento de sangue e hemoderivados graças às doações voluntárias da população.
Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas, pois cada componente pode ser utilizado por um paciente diferente. Isso reforça a importância da participação da população na doação. O sangue doado é essencial para garantir o atendimento a pacientes em situações de urgência, cirurgias, tratamentos oncológicos e demais procedimentos que dependem de transfusão.
Para doar, é necessário ter entre 16 e 69 anos completos. Menores de idade precisam de autorização e da presença do responsável legal. Homens podem doar a cada dois meses, até quatro vezes ao ano. Mulheres podem doar a cada três meses, totalizando até três doações anuais.
O doador pode fazer agendamento prévio AQUI, pesar no mínimo 50 quilos, estar descansado, alimentado e hidratado (evitando alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação) e apresentar documento oficial com foto, como carteira de identidade, carteira de conselho profissional, carteira de trabalho, passaporte ou Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

