InícioSaúdeEntrega de medicamentos em domicílio transforma a rotina de 34 mil paranaenses

Entrega de medicamentos em domicílio transforma a rotina de 34 mil paranaenses



Adriana Castro da Silva Rocha e Sandra Carvalho de Souza têm histórias diferentes, mas em comum dividem o benefício de receber seus medicamentos pelo programa Remédio em Casa da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa). Para uma, o programa representou o resgate da própria independência. Para outra, significou a comodidade de não precisar se deslocar mensalmente para retirar o medicamento em uma Farmácia do Paraná. Hoje, junto com mais de 34 mil paranaenses, elas recebem medicamentos de uso contínuo diretamente em casa, o que garante a continuidade do tratamento sem as barreiras que enfrentavam antes.

Sandra, diagnosticada com artrite reumatoide e artrite psoriásica, faz uso contínuo do tofacitinibe, medicamento que na rede privada pode chegar a R$ 6 mil por caixa, e começou a recebê-lo em casa durante a pandemia. Antes do acesso ao medicamento pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), coordenado pela Sesa, ela enfrentava dores severas e limitações físicas profundas que a deixavam praticamente imobilizada. A entrega domiciliar eliminou barreiras logísticas, como a dificuldade de subir escadas, e trouxe a garantia da continuidade do tratamento.

“O benefício desse remédio não se pode calcular. Para mim, foi importante até para voltar a andar. Voltei a ter expectativa de vida com essa medicação”, contou Sandra. Sobre o programa de entrega domiciliar, ela não poupa elogios. “É uma tranquilidade e uma segurança saber que você vai continuar tendo o tratamento sem interrupção, porque simplesmente o remédio vai chegar em sua casa. Vocês pensam pela gente”, agradeceu.

A comodidade de não precisar se deslocar mensalmente também transformou a rotina de Adriana Castro da Silva Rocha. Diagnosticada com doenças inflamatórias intestinais crônicas, ela faz uso contínuo da mesalazina desde 2021, um anti-inflamatório de alto custo indicado para tratar condições como a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn. Na rede privada, uma caixa com cinquenta comprimidos pode custar entre R$ 300 e R$ 500, valor inviável para Adriana, que no ápice da doença chegava a tomar dez comprimidos por dia para controlar os sintomas.

Após dar entrada com os laudos necessários, ela começou a retirar a medicação presencialmente na Farmácia do Paraná. Logo em seguida, foi inserida no programa Remédio em Casa. A mudança facilitou o dia a dia da paciente, que tem horários restritos devido ao trabalho.

“Eu me sinto bem satisfeita, porque a gente trabalha, fica o dia inteiro fora. Eu mesma tenho uma hora só de almoço e a farmácia geralmente é cheia, então é mais complicado estar indo”, relata Adriana. “Receber essa medicação em casa facilita bastante a vida da gente”, comemorou.

REMÉDIO EM CASA – Histórias como as de Adriana e Sandra ilustram o impacto do programa Remédio em Casa, ampliado pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) nos últimos anos. A iniciativa, que garante a entrega de medicamentos de uso contínuo diretamente na residência dos pacientes, fechou o ano de 2025 com 34.511 pessoas atendidas. O número representa um crescimento de 1.616% desde o início da atual gestão, quando a estratégia de expansão foi implementada.

Criado em 2017, o programa atendia cerca de 2.010 usuários apenas na região de Curitiba até o final de 2018. A partir de 2020, a Sesa iniciou um processo de expansão para outras Regionais de Saúde, começando por Londrina e Cascavel. Nos anos seguintes, a entrega domiciliar chegou a Maringá, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu, até atingir o recorde atual. O crescimento acompanha a diretriz do Estado de facilitar a vida do cidadão e modernizar o atendimento público.

“A expansão do Remédio em Casa reflete o compromisso do Governo do Estado em levar a saúde para mais perto da população. Entendemos que muitos desses pacientes têm dificuldades de locomoção ou enfrentam rotinas exaustivas de tratamento. Garantir que o medicamento chegue na porta de casa é uma questão de respeito e dignidade”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

O serviço atende pacientes diagnosticados com mais de 40 doenças crônicas diferentes. Entre as condições com maior volume de medicamentos dispensados estão a dislipidemia, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica e osteoporose. O catálogo inclui uma grande variedade de itens do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) e do elenco complementar, com exceção apenas daqueles que exigem refrigeração ou controle especial.

MELHORA DE FLUXO – Além do benefício direto ao paciente, o programa gerou impactos positivos na gestão da saúde pública. A entrega domiciliar reduziu significativamente o fluxo de pessoas nas Farmácias das Regionais de Saúde. Com menos pacientes buscando atendimento presencial todos os meses, o tempo de espera nas unidades diminuiu, melhorando a qualidade do serviço para quem precisa retirar medicamentos que não fazem parte do programa.

A coordenadora de Assistência Farmacêutica da Sesa, Deise Pontarolli, destaca a eficiência logística da operação. “Conseguimos estruturar uma rede de distribuição que garante a regularidade do tratamento. O paciente não precisa mais se preocupar em agendar a retirada ou enfrentar filas mensais. A medicação chega no prazo correto, o que também contribui para a adesão ao tratamento e evita o agravamento do quadro clínico”, explicou.

FARMÁCIA DO PARANÁ – O Remédio em Casa faz parte de uma estratégia ampla da Sesa para descentralizar a assistência farmacêutica. O relatório anual da pasta aponta que, somando todos os serviços das farmácias estaduais e municipais, mais de 566,3 mil usuários receberam medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica pelo sistema público no Estado em 2025. No último ano, a quantidade de medicamentos distribuídos pelo Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) também acompanhou a alta e registrou 454 milhões de unidades distribuídas, um crescimento de 76,6% desde 2019, com investimento que superou R$ 2,5 bilhões.



Via AEN PR

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