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Espécie raríssima de planta carnívora é encontrada no Piauí


Pela primeira vez na história, a espécie Utricularia warmingii foi encontrada no Nordeste do país. Trata-se de uma planta carnívora aquática raríssima, que está em perigo de extinção.

Caracterizada por ter pequenas populações espalhadas pelo país, como algumas áreas do Pantanal e estados da região Sudeste, a espécie também foi vista em outras nações sul-americanas. 

A nova descoberta foi em Lagoa do Bode, na cidade histórica de Campo Maior, no interior do Piaui. Publicado em um periódico associado à Revista Nature, uma das mais importantes do campo científico mundial, o achado foi resultado de uma parceria entre pesquisadores das universidades federais do Piauí e do Mato Grosso do Sul, além do Instituto Nacional da Mata Atlântica.

Coordenador das pesquisas, o professor Ernandes Leite explica que ainda não se sabe como a planta chegou ao Lago do Bode, mas que ela sobrevive em condições específicas.

“Essa planta é extremamente especializada. Ela possui uma estrutura chamada de utrículos, que são armadilhas especializadas microscópicas, que faz aí a sucção de pequenos crustáceos e também de larvas de protozoários. Ela só ocorre em água doce, até onde sabemos, em lagoas com águas com temperaturas aquecidas”.

Além disso, suas flores brancas tingidas de amarelo e vermelho também recebem a ação de polinizadores.

As poucas coletas na história impedem que os estudos sobre a espécie sejam completos. Sabe-se que, em geral, sua altura chega até 6 centímetros e a principal diferença para as outras plantas carnívoras está no chamado pedûnculo, a área que conecta o caule com a flor. No caso dessa espécie, este órgão funciona como um balão que auxilia na flutuação. O cientista também fala sobre outras diferenças.

“Ela possui um pedúnculo inflável, diferenciando das outras. Ela possui um estilo de vida livre, ela não é fixa no substrato, ela fica ali em águas rasas, mas também pode submergir, coisa que as outras não fazem”.

Sua existência depende exclusivamente das áreas alagadas, mesmo temporariamente, que são justamente os habitats mais ameaçados. O professor explica que alguns fatores podem agravar os riscos de extinção local.

“Aqui na nossa região, a seca é uma das ameaças maiores e a antropização agrícola, a expansão agropecuária tá tomando muitas áreas e essa planta, por ter populações muito pequenas aqui na nossa região, em um único lugar muito restrito, ela corre um risco muito grande”.

Além disso, o uso de fertilizantes, a introdução de espécies invasoras e outras alterações na paisagem podem afetar a qualidade da água e prejudicar a sobrevivência do organismo. Por conta disso, o pesquisador afirma que o trabalho ainda não acabou.

“A nossa luta é manter essa espécie viva, sobreviver, aumentar a população, trazer mais estudos para as plantas aquáticas do estado do Piauí e tentar fazer medidas junto aos órgãos competentes de uma área de proteção permanente, para que a gente possa manter não só essa planta, mas as outras bem preservadas”.

De acordo com os cientistas, a fauna e flora de diversas áreas brasileiras ainda são pouco exploradas, e é através de novos estudos que se pode orientar práticas de preservação ecológica específicas para cada zona.

* Sob supervisão de Vitória Elizabeth.
 




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