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Estado investe R$ 10,7 milhões para fortalecer pesquisas de desenvolvimento sustentável | Tecpar



O Governo do Estado, por meio da Fundação Araucária e da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), lançou nesta segunda-feira (16) o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Agenda 2030. Serão investidos R$ 10,7 milhões na iniciativa voltada à pesquisa e à implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no território paranaense. 

O lançamento aconteceu durante a cerimônia de abertura do III Fórum Internacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Da Pesquisa à Ação, que acontece nesta segunda e terça-feira (16 e 17) no Campus da Indústria – FIEP, no Jardim Botânico. 

Segundo o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, o Estado possui um grande número de pesquisadores que já atuam em temas relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e que poderão trabalhar de forma colaborativa dentro do novo arranjo.

“O NAPI Agenda 2030 surge para mobilizar esses profissionais em arranjos colaborativos, reunindo pesquisadores de várias instituições e regiões do Estado em torno de objetivos comuns. Hoje não se pensa mais em desenvolvimento sem sustentabilidade. Esse é um caminho que precisa ser construído com base na ciência, no conhecimento e na cooperação entre instituições”, destacou.

O NAPI atuará como uma rede interinstitucional articulada pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), reunindo 111 pesquisadores de universidades públicas estaduais e federais, institutos federais e instituições parceiras nacionais e internacionais, com foco prioritário nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e ODS 14 (Vida na Água).

PARCERIAS – Além das universidades, o NAPI Agenda 2030 é realizado em parceria com a Superintendência Geral de Desenvolvimento Econômico e Social (SGDES) e o Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR). A superintendente da Superintendência Geral de Desenvolvimento Econômico e Social, Keli Cristina Guimarães, lembra que o NAPI vem sendo desenhado desde 2019. “É um avanço muito grande, eu acho que a gente vai chegar muito longe e vai poder ajudar não só o Paraná, mas o Brasil, a ter indicadores melhores e pensar em políticas públicas baseadas em evidências”, afirma.

O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, ressaltou que o Tecpar, que é proponente do projeto, atuará como um ponto de conexão entre as instituições, com o objetivo de fortalecer a formação, o engajamento e a disseminação do conhecimento junto à sociedade.  “Por meio dessa abordagem colaborativa e integrada, a iniciativa vai consolidar práticas de governança que promovem a articulação entre diferentes setores da sociedade. A expectativa é que esse modelo sirva de referência para outros estados brasileiros, reforçando o protagonismo do Paraná na implementação de políticas públicas sustentáveis e orientadas por evidências”, pontuou Marafon.

ODS – O ODS 11 é voltado a enfrentar questões urbanas como crescimento desordenado, falta de infraestrutura adequada, segregação social, mobilidade insustentável e degradação ambiental. “As cidades são estratégicas na busca pelo desenvolvimento urbano sustentável, como por exemplo, promover o acesso de todos à habitação segura, ao sistema de transporte seguro, proteger o patrimônio histórico e natural e o NAPI surge para apoiar o Estado e os municípios na implementação de ODS”, explica a professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e articuladora do ODS11, Olívia Orquiza.

Já o ODS 14 ganha relevância particular no Paraná por conta de seu litoral estratégico, com cerca de 100 quilômetros de extensão. A preservação e o uso sustentável dos oceanos e ecossistemas marinhos estão diretamente ligados à economia local, especialmente pesca e turismo. 

O articulador do NAPI no ODS 14 e professor do Instituto Federal do Paraná, Allan Krelling, destaca que compreender melhor os impactos no oceano é fundamental para a sociedade porque permite medir o tamanho dos problemas — como a poluição — e, a partir de dados científicos, orientar políticas públicas mais eficazes. “Essas pesquisas ajudam a criar indicadores, melhorar a gestão ambiental e desenvolver soluções, como sistemas de tratamento de esgoto para comunidades isoladas, por exemplo, trazendo benefícios diretos para a população”, ressalta. NA Entre as

NA PRÁTICA – Entre as metas específicas do NAPI Agenda 2030 estão, por exemplo, o apoio ao desenvolvimento urbano de 55 municípios (23 municípios-piloto selecionados em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e outros 32 com mais de 50 mil habitantes) com capacitação de agentes locais de governança e o desenvolvimento de uma certificação de “Cidade e Bairros Sustentáveis”, inspirada no modelo do selo francês “Label Ville Durable et Innovante” (Cidade Sustentável e Inovadora). Além disso, 36 municípios contarão com o apoio do NAPI Agenda 2030 para implantar Lei de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS).

Em relação aos objetivos voltados ao oceano, a intenção é mobilizar uma rede de pesquisadores e educadores para difusão da Cultura Oceânica nas escolas e ainda apoiar o Governo do Estado a ter ferramentas para acompanhar o descarte incorreto de lixo no mar, para formulação de estratégias para sua mitigação, além de apoiar a expansão do saneamento em comunidades isoladas do Complexo Estuarino de Paranaguá.

Ao promover essa abordagem integrada e colaborativa, o Paraná reafirma seu protagonismo como HUB de referência na territorialização dos ODS, em consonância com a estratégia global da Local2030 Coalition, plataforma das Nações Unidas dedicada ao fortalecimento de ações locais em torno da Agenda 2030 que reconhece o Paraná como único HUB de excelência pelos trabalhos realizados na implementação da Agenda 2030 localmente.

NAPIs – Já foram investidos, entre recursos da Fundação Araucária e de parceiros, R$ 306,2 milhões em 56 Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs). Destes, 51 estão em execução. Os NAPIs têm como objetivo conduzir a produção de conhecimento de forma colaborativa pelos pesquisadores paranaenses e de outras regiões, incitados por demandas prioritárias de desenvolvimento de setores estratégicos para o Estado. 

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