Além de atrair parceria para uso de uma tecnologia inédita no país, a corrida para conectar escolas pode levar o Brasil a estreitar ainda mais os laços com a China. Telebras e o Ministério das Comunicações possuem desde novembro de 2024 um memorando de entendimento com a SpaceSail, empresa ligada ao governo de Xangai e a instituições científicas da China. Com o início da operação dela no país, prevista para o último trimestre de 2026, parte das escolas poderá ser atendida com conexão chinesa.
No fim de 2025, a companhia pediu à Anatel (Agência Nacional das Telecomunicações) autorização para operar 648 satélites no Brasil por 15 anos —a ideia é chegar a 15 mil em 2030. A uma distância entre 500 km e 1,5 mil km da Terra, esses satélites estão em baixa órbita —LEO, no jargão da área—, a mesma faixa da Starlink.
Na prática, SpaceSail e Starlink competirão ainda pelo mesmo espaço no mercado brasileiro: conexão residenciais, contratos corporativos e governamentais. Curiosamente, a empresa de Elon Musk não é citada como alternativa para conectar escolas, ainda que ela seja líder inquestionável, com 73% dos acessos de internet via satélite no Brasil
Hoje, a Starlink já vende muito para pessoa física, tem um público grande. Então ela sozinha também não seria o suficiente
Hermano Tercius
Ainda que a internet via satélite seja importante para conectar áreas remotas, a Telebras é uma das peças para o governo federal atingir a meta das 138 mil públicas conectadas. Outra são os leilões de conexão da EACE (Entidade Administradora da Conectividade de Escolas), que surgiu no Brasil em 2022 para gerenciar o dinheiro vindo das operadoras como obrigação do leilão do 5G. A última são os financiamentos de pequenos provedores regionais com dinheiro do FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), que atingiu R$ 3,2 bilhões em investimentos em 2025.
