A chegada de um filho transforma a vida de qualquer família. Quando essa surpresa vem em dose tripla, o impacto é ainda maior. Foi o que aconteceu com a dona de casa Francieli Tizziani, de 28 anos, e seu marido, Luiz Carlos, de 27. Moradores de Planalto, no Sudoeste do Paraná, eles viram a família saltar de quatro para sete integrantes com o nascimento das trigêmeas Madalena, Magali e Maitê.
O diagnóstico de uma gravidez trigemelar acompanhada de diabetes gestacional poderia ter sido motivo de desespero. No entanto, a jornada de Francieli transformou-se em um exemplo prático de como a Linha de Cuidado Materno Infantil da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) funciona. Ela iniciou o atendimento na rede pública de sua cidade e, devido à alta complexidade, foi encaminhada para o suporte de especialistas no Hospital Regional do Sudoeste Walter Alberto Pecóits, em Francisco Beltrão, unidade própria da Sesa e referência para a região, e distante a apenas 100km de Planalto.
As pequenas nasceram prematuras, com 33 semanas, e precisaram de incubadora na UTI Neonatal. Essa é apenas uma das muitas histórias reais e que refletem um ecossistema de saúde pública estruturado, humano e altamente tecnológico. O atendimento da Franciele acontece dentro da Linha de Cuidado Materno Infantil, que é uma estratégia que organiza e integra toda a assistência prestada à mulher e à criança no Paraná, e engloba desde o planejamento familiar, o pré-natal, o parto e o puerpério (pós-parto), até o acompanhamento do crescimento do bebê nos primeiros anos de vida.
“A nossa Linha de Cuidado tem a finalidade de organizar a atenção e assistência nas ações que oferecem de forma organizada o pré-natal, o parto, o puerpério e o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças, em especial no seu primeiro ano de vida”, destacou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
O sistema funciona baseado em pilares essenciais, a captação precoce, que estimula que as gestantes iniciem o acompanhamento pré-natal logo no primeiro trimestre; a estratificação de risco, que classifica o atendimento em Risco Habitual, Intermediário e Alto Risco, e ainda, a partir disso, o plano de parto, que oportuniza que a mulher saiba antecipadamente, e de acordo com a estratificação de risco, qual é o hospital/maternidade mais adequado para o seu parto.
INVESTIMENTOS E CAPACITAÇÕES – Para tirar esse fluxo do papel e garantir atendimento de qualidade, a Sesa aportou recursos na modernização tecnológica, com a aquisição de equipamentos atuais, dedicados a ginecologia e obstetrícia de precisão, equipamentos cirúrgicos minimamente invasivos de última geração e simulação realística. Essa evolução tecnológica, recebeu investimentos na ordem de R$ 10,4 milhões.
Dentro da capacitação, o Centro Estadual de Simulação Realística, treinando equipes de todo o Paraná com simuladores de alta tecnologia para intercorrências práticas, é um dos destaques.
O Estado investiu ainda R$ 3 milhões no curso ALSO®, capacitando médicos e enfermeiros no manejo de urgências no parto. Também destinou R$ 572 mil em especializações estratégicas para integrar enfermeiros obstetras na rede pública.
A tecnologia da telemedicina também é uma realidade através do projeto Bate-Bate Coração, que utiliza tecnologia de ponta e telemedicina para conectar UTIs neonatais de hospitais regionais ao Hospital Pequeno Príncipe (HPP), referência nacional em cardiologia pediátrica, com o objetivo de aprimorar o diagnóstico e o acompanhamento de recém-nascidos com cardiopatias congênitas graves. A iniciativa contou com aporte inicial de R$ 375 mil e custeio anual de R$ 1,5 milhão.
FORTALECIMENTO FINANCEIRO – O Paraná dobrou o valor repassado por parto realizado a hospitais públicos e filantrópicos credenciados, incentivos por meio da Estratégia de Qualificação do Parto (EQP), com valores de R$ 400 e R$ 600 por parto/nascimento, respectivamente. Já as maternidades de Alto Risco passaram a contar com um incentivo fixo mensal de R$ 200 mil, garantindo maior previsibilidade e capacidade de planejamento. Ao todo, 30 maternidades de alto risco serão contempladas com o novo investimento.
RESULTADOS – O impacto desse esforço conjunto se traduz em indicadores que colocam a saúde do Paraná em posição de destaque. Há seis anos consecutivos, o Paraná lidera o ranking nacional de nascidos vivos cujas mães realizaram sete ou mais consultas de pré-natal, e à frente de todos os estados do Sul.
A organização de processos, o acolhimento precoce e as capacitações geraram uma redução significativa nos índices de mortalidade materna e neonatal.
“O Paraná vem ampliando e fortalecendo a política de atenção integral à saúde das mulheres e das crianças, oferecendo recursos, insumos e capacitação para gestores e profissionais da saúde. Tudo isso reverte em resultados para a população”, destacou a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes.
EXAMES AMPLIADOS – O Governo do Paraná universalizou o acesso ao exame de ultrassom morfológico para 100% das gestantes atendidas pelo SUS . A medida garante o procedimento gratuitamente em todos os 399 municípios do Estado, com um investimento anual de cerca de R$ 15 milhões. O exame é recomendado preferencialmente entre a 20ª e a 24ª semana de gravidez e avalia detalhadamente a formação dos órgãos do bebê, o crescimento fetal e a saúde da placenta. Como o procedimento não faz parte da tabela padrão do Ministério da Saúde, essa é uma conquista histórica para o acompanhamento pré-natal no estado
Outra medida pioneira, é a expansão do rastreio da triagem neonatal, com a ampliação para 51 doenças genéticas e metabólicas detectadas pelo teste do pezinho. Enquanto a versão básica do SUS cobre o rastreio de até 6 doenças, a versão de 51 exames identifica um leque muito maior de condições raras, assegurando tratamento imediato e qualidade de vida para as crianças.
AVANÇO E IMUNIZAÇÃO – A Inclusão da vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) diretamente nas maternidades, permitindo que recém-nascidos saiam do hospital imunizados contra as formas graves de tuberculose, é outro avanço. A tuberculose continua sendo uma das doenças infecciosas que mais mata no mundo. No Brasil, embora o tratamento seja gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a prevenção por meio da vacina nas primeiras horas de vida (preferencialmente nas primeiras 12 horas para bebês com mais de 2kg) é a única forma de evitar que a bactéria atinja o sistema nervoso central ou se espalhe pelo corpo do recém-nascido, o que pode ser fatal.
A incorporação pioneira da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite e infecções respiratórias graves em recém-nascidos, também vem fazendo a diferença. A vacina é aplicada em dose única em mulheres a partir da 28ª semana de gestação, sem restrição de idade materna. O objetivo é proteger o recém-nascido nos primeiros seis meses de vida, período de maior vulnerabilidade para doenças graves causadas pelo VSR, como bronquiolite e pneumonia. A gestante, ao ser vacinada, transfere anticorpos ao feto pela placenta, reduzindo os riscos de infecção grave e complicações respiratórias.
PLANEJAMENTO FAMILIAR EFICIENTE – O número de laqueaduras e vasectomias no SUS mais que dobrou em dois anos devido à simplificação dos fluxos regulatórios. A disponibilização do implante contraceptivo subdérmico de etonogestrel para mulheres de 15 a 49 anos, é outra medida que contribuiu para um planejamento familiar eficiente, e para garantir que o atendimento às pacientes ocorra de forma qualificada, o Paraná lidera um forte movimento de aperfeiçoamento na Atenção Primária à Saúde (APS). Além das capacitações promovidas pelo Ministério da Saúde, que formaram 120 profissionais em 2025 e mobilizaram mais 400 enfermeiros, equipes do sistema prisional e do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) em junho de 2026, oficinas locais e regionais prepararam 1.210 profissionais no Estado através de 18 eventos promovidos entre fevereiro e a primeira quinzena de junho. O ritmo de expansão deve continuar acelerado, com mais 10 oficinas agendadas até agosto para capacitar outros 323 profissionais paranaenses.
COMITÊ – Outra ação da Sesa voltada ao cuidado materno infantil, é a reorganização e a manutenção de reuniões periódicas do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal, que atua como uma instância consultiva e deliberativa interinstitucional e multiprofissional, vinculada à Sesa. Sua organização se destaca pela articulação de uma ampla rede representativa, englobando superintendências de saúde, conselhos de classe (como CRM, Coren e Cosems), sociedades médicas, universidades e organizações da sociedade civil. O foco primordial de sua atuação consiste em monitorar, investigar e analisar sistematicamente as causas dos óbitos maternos, infantis e fetais no estado. A partir desse diagnóstico epidemiológico, o comitê propõe intervenções estruturais, subsidia a atualização de diretrizes (como a Linha Guia Materno Infantil) e fomenta políticas públicas voltadas à qualificação da assistência no pré-natal, parto e puerpério. Com isso, se busca mitigar as falhas nos serviços de saúde e reduzir ativamente os indicadores de mortes evitáveis no território paranaense.
NOVO PACTO – A assinatura do Novo Pacto para a Redução da Mortalidade Materna e Infantil no Paraná que simboliza um compromisso interinstitucional recíproco firmado entre o Governo do Estado, por meio da Sesa, e importantes órgãos signatários, em uma iniciativa que estabelece a meta de reduzir em 10% os indicadores de mortalidade materno infantil até 2027, estruturando-se em torno de ações fundamentais como a ampliação do acesso ao pré-natal de qualidade e ao planejamento sexual e reprodutivo, com foco especial em mulheres em situação de vulnerabilidade. O pacto também atua em consonância com avanços recentes na rede pública de saúde paranaense, incluindo a adoção da metodologia do PlanificaSUS para um cuidado regionalizado e a incorporação do Plano Estadual da Rede Alyne, que visa reestruturar a atenção obstétrica e garantir o financiamento seguro no transporte de gestantes e recém-nascidos graves, consolidando uma rede de proteção eficiente desde a atenção primária até a alta complexidade hospitalar.
Com tudo isso, o Paraná consolida um modelo assistencial seguro, humano e tecnológico. O sucesso da estratégia não está apenas nos números, mas na segurança de mães como a Francieli, que puderam ver suas três filhas nascerem com toda a assistência necessária, de forma 100% gratuita e perto de casa.

