O Paraná consolidou nos últimos sete anos um dos sistemas de vigilância laboratorial mais modernos, inovadores e eficientes do Brasil. O Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen-PR), órgão oficial da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) vinculado à Diretoria de Atenção e Vigilância em Saúde (DAV), tornou-se o grande escudo sanitário dos paranaenses, atuando na linha de frente para embasar decisões vitais e políticas de proteção no Sistema Único de Saúde (SUS).
E para garantir essa excelência técnica e acompanhar as crescentes demandas da saúde pública, o Governo do Estado prepara o próximo grande passo estrutural da unidade. Anunciado ao final de 2024, o processo de ampliação da sede do Lacen-PR, localizada em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, já teve sua licitação concluída. Com previsão de início das obras ainda para 2026, a chamada “Fase 2” da unidade receberá um investimento massivo de R$ 32,5 milhões. Com prazo de execução de 18 meses, o projeto fortalecerá diretamente a vigilância sanitária, ambiental e a saúde do trabalhador.
Para o secretário de Estado da Saúde, César Neves, a expansão física e tecnológica do laboratório representa um marco na proteção da população.
“O Lacen-PR é o nosso grande escudo sanitário. Quando o Governo do Estado investe de forma maciça para tirar a Fase 2 do papel e modernizar o nosso parque tecnológico, estamos garantindo que o Paraná atue sempre um passo à frente de qualquer ameaça epidemiológica. Essa ampliação não é apenas uma obra aguardada há quase vinte anos, mas a certeza de que a ciência paranaense continuará sendo referência e ditando o ritmo da saúde pública no Brasil”, ressaltou o secretário.
A nova fase traz como destaque a modernização da Seção de Análise de Resíduos e Contaminantes, agora integrada em uma central analítica única. Com a meta de realizar mil análises mensais, a unidade será responsável por detectar agrotóxicos e metais pesados em águas e alimentos, resíduos de medicamentos veterinários em itens de origem animal e micotoxinas em produtos vegetais. O projeto inclui, ainda, a criação do laboratório de Saúde do Trabalhador, focado no diagnóstico de intoxicações e riscos no ambiente de trabalho.
Com a reativação da Seção de Entomologia, o laboratório passa a identificar espécies de insetos vetores com alta precisão. Isso permitirá rastrear patógenos diretamente nos vetores, servindo tanto para monitorar os vírus circulantes quanto para agir preventivamente, antes que eventuais surtos atinjam a população.
O complexo contará ainda com a inédita área de Microbiologia de Produtos, voltada para a fiscalização da esterilidade e controle da qualidade de cosméticos, saneantes e medicamentos que chegam à população. Muito além da capacidade laboratorial, o projeto investe na educação em saúde com a construção de um novo auditório para 150 pessoas, que servirá como centro de treinamento para profissionais de todo o Paraná. Toda a infraestrutura de apoio aos servidores também será duplicada, garantindo um novo refeitório e a ampliação moderna das áreas administrativas.
Além da grandiosa ampliação estrutural que está por vir, o balanço dos últimos sete anos destaca as melhorias tecnológicas e contínuas já entregues. Desde 2019, o Estado aportou cerca de R$ 20,8 milhões em um montante que inclui a aquisição de equipamentos de ponta para a rede descentralizada, além de adequações internas, novos mobiliários, substituição de pisos e melhorias administrativas que garantem mais biossegurança e conforto aos servidores.
“Esses investimentos representam avanços significativos para o fortalecimento da vigilância laboratorial no Paraná, contribuindo para maior capacidade de resposta, incorporação de novas tecnologias e aprimoramento contínuo dos serviços prestados à população”, destacou a diretora do Lacen-PR, Célia Fagundes Cruz.
PROTAGONISMO NACIONAL E INOVAÇÃO – Muito além da infraestrutura física, o Lacen-PR tem ditado os rumos da ciência e da bioética no Brasil, atuando como um verdadeiro escudo sanitário. Esse rigor técnico é comprovado por marcos recentes que transformaram os protocolos de saúde em todo o País. Com o avanço no diagnóstico da raiva, o Lacen-PR tornou-se o primeiro laboratório de saúde pública do Brasil totalmente livre de experimentação animal. O pioneirismo do Estado comprovou a eficácia da biologia molecular e motivou a decisão nacional de encerrar o uso de camundongos nesses testes em todos os laboratórios brasileiros, alinhando o País às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A agilidade e a excelência da unidade também se refletem na resposta rápida a ameaças epidemiológicas. O Lacen-PR internalizou o processamento de exames de febre amarela em primatas (animais que funcionam como sentinelas do vírus na natureza), reduzindo drasticamente o tempo de resultado que antes dependia de envios para a Fiocruz.
Além disso, o laboratório paranaense foi o responsável por identificar a bactéria emergente, Phytobacter diazotrophicus, um patógeno de alta periculosidade que vinha passando despercebido nos diagnósticos brasileiros. A descoberta gerou um alerta em todo o país e levou o Paraná a liderar uma força-tarefa, na qual cerca de 300 laboratórios foram desafiados a identificar este patógeno, com o objetivo de corrigir falhas sistemáticas de identificação, garantindo mais segurança à saúde pública do Brasil.
Referência absoluta para a saúde pública, o Lacen-PR coordena toda a rede de vigilância laboratorial paranaense. A instituição atua na testagem de surtos, vigilância genômica e controle de qualidade em saúde. É das suas bancadas que saem os exames voltados ao monitoramento de doenças de notificação obrigatória e os alertas que pautam campanhas de vacinação e políticas de proteção aos municípios. Foi a unidade, por exemplo, que detectou os primeiros casos de Covid-19 no Estado em 2020. Agora, mantendo sua resposta ágil a surtos, síndromes respiratórias e casos de dengue, o laboratório avançou definitivamente para uma nova etapa estrutural e tecnológica.

