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Secretário César Neves participa da soltura de Wolbitos para ampliar prevenção contra dengue e outras arboviroses em Londrina



O secretário de Estado da Saúde, César Neves, participou, nesta quinta-feira (21), da solenidade que marcou o início da soltura dos Wolbitos em Londrina. A tecnologia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, naturalmente presente em mais da metade dos insetos existentes na natureza e capaz de impedir o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya no organismo do mosquito.

A iniciativa é promovida pela Secretaria Municipal da Saúde de Londrina e pela Wolbito do Brasil, organização responsável pela implementação do Método Wolbachia no País. Ao todo, a soltura será realizada em 47 bairros do município.

Os Wolbitos não transmitem os vírus da dengue, zika e chikungunya. Quando liberados no ambiente, eles se reproduzem com os mosquitos que já existem na região e passam a bactéria para as gerações seguintes. Com o tempo, a expectativa é formar uma população de Aedes aegypti com menor capacidade de transmitir os vírus das arboviroses.

“É uma alegria participar deste momento e ver um método tão inovador conquistar cada vez mais territórios. É uma grande conquista para o Paraná. A dengue tem quatro sorotipos circulantes no Brasil, e Londrina dá um passo importante no enfrentamento da doença e das demais arboviroses ao iniciar a liberação dos Wolbitos, juntando-se a Foz do Iguaçu, Cascavel, Curitiba e Ponta Grossa, que também já utilizam essa tecnologia”, destacou César Neves.

O secretário reforçou ainda que o Método Wolbachia é uma estratégia complementar às ações tradicionais de controle do mosquito. “Os estudos demonstram a eficácia do método, mas é importante reforçar que a tecnologia não substitui os cuidados que já conhecemos. A população continua tendo um papel fundamental na eliminação de criadouros e no combate ao Aedes aegypti”, afirmou.

COMO FUNCIONARÁ – Londrina conta com um núcleo de produção, estrutura destinada ao desenvolvimento dos Wolbitos desde a fase de ovo até a fase adulta, antes da liberação em campo. O núcleo recebe da biofábrica cápsulas com ovos e ração. Em contato com a água, os ovos se desenvolvem até a fase adulta, quando os mosquitos são distribuídos em rotas previamente definidas.

A operação prevê 3.890 pontos de soltura e deverá beneficiar diretamente 151.715 pessoas. A liberação dos Wolbitos ocorre após a etapa de engajamento comunitário, período em que a população recebeu informações sobre a tecnologia, seu funcionamento e os objetivos da iniciativa.

A soltura será gradual e está prevista para ocorrer ao longo de 26 semanas. As liberações serão realizadas semanalmente por agentes de campo treinados e capacitados, utilizando veículos e equipamentos específicos.

A expectativa é que, ao longo dos meses, a presença da Wolbachia se estabeleça de maneira autossustentável na população de mosquitos do município.

“Agora que a população já conhece o método e entende que é uma tecnologia segura para a proteção, começam as liberações dos mosquitos. Será um trabalho intenso nas próximas semanas, que também contará com a colaboração das pessoas na eliminação do Aedes aegypti e de possíveis criadouros. Quem elimina o mosquito também contribui para o método”, explica Gabriel Sylvestre, gerente de implementação da Wolbito do Brasil.

MONITORAMENTO E EFICÁCIA – A liberação dos Wolbitos será acompanhada por um sistema de monitoramento realizado por meio de ovitrampas, que permite verificar o estabelecimento da Wolbachia na população de mosquitos em campo.

Pesquisas de eficácia demonstram que, quanto maior a presença de mosquitos com Wolbachia, menor é a ocorrência de casos de dengue, zika e chikungunya. Estudos também já demonstraram que, mesmo oito anos após as primeiras liberações, os mosquitos mantêm a bactéria de forma estável na população.

Em Niterói (RJ), por exemplo, município que já possui todo o território coberto pela tecnologia, foi registrada redução de 89% nos casos de dengue.

Atualmente, o Método Wolbachia está presente em 16 cidades brasileiras, protegendo mais de 8 milhões de pessoas. No Paraná, além de Londrina, Foz do Iguaçu, Cascavel, Curitiba e Ponta Grossa também já realizaram a soltura dos Wolbitos.

Presente desde 2025 nas Diretrizes de Controle e Prevenção das Arboviroses, o Método Wolbachia é conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, e operado pela Wolbito do Brasil. A estratégia é baseada em evidências científicas e integra o conjunto de ações nacionais de enfrentamento às arboviroses.



Via AEN PR

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