InícioEditoriasViva Maria: uma mulher na linha de frente pela Amazônia

Viva Maria: uma mulher na linha de frente pela Amazônia


Na Semana da Amazônia, que tem no 5 de setembro a data máxima desse que é o maior bioma brasileiro, o Viva Maria coloca no ar trechos da série Somos Amazônia, uma produção da nossa EBC (Empresa Brasil de Comunicação) com o WWF-Brasil. Ao todo, são cinco episódios que falam da importância da conservação a partir de cinco temáticas diferentes: pesca sustentável, unidades de conservação, cadeias produtivas, práticas agroflorestais e de restauração florestal, e ainda turismo sustentável.

Amazônia, terra que orgulha o Brasil. Tem floresta, tem riqueza, tem água, tem tradição, tem cultura e o que é melhor: tem gente.

Precisa conhecer, fazer turismo sustentável de base comunitária para sentir o verdadeiro gosto do peixe, da farinha, do açaí. O ambientalista Ricardo Mello reforça o convite.

Se as pessoas puderem ir para a Amazônia, vão se surpreender. Você vê paisagens lindas que você nem imagina que existem no Brasil. E o turismo é isso, é poder entender, ver, sentir, interagir com as pessoas de uma forma que só é possível indo lá. Vai lá, sinta o sabor da farinha, pega o peixe também, que é super importante na região, frutos da Amazônia, aí você está sentindo realmente o verdadeiro sabor da Amazônia e está conectado com a Amazônia. Somos Amazônia, uma campanha do WWF-Brasil.

 Não importa a região em que você mora. Na certeza de que Somos Amazônia, queremos convidar você a conhecer os personagens dessa série que tem nas mulheres seu maior protagonismo. A começar por Aldeiza Lago. Ela é a guerreira que toma conta do Mosaico do Apuí, um conjunto de áreas protegidas de responsabilidade do governo do Amazonas, que fica bem ao lado da Barra de São Manoel e do Parque Nacional do Juruena. Aldeiza Lago é gerente de unidade de conservação e é responsável por nove unidades de conservação do estado, que ficam no sul do Amazonas, no Mosaico do Apuí. Além disso, Aldeiza ainda trabalha nas comunidades tradicionais e com as mulheres dessa comunidade, é claro. Viva Maria!

Eu sou Aldeiza Lago, eu sou amazonense, adoro minha origem, sou descendente indígena. E estou ocupando hoje o cargo de gerente de unidade de conservação, sou responsável por nove unidades de conservação do estado do Amazonas que ficam no sul do Amazonas, que é aqui no Apuí. Tenho esse trabalho de gerente de unidade, mas também tenho outros trabalhos paralelos, né, com mulheres, com comunidade tradicionais, com a parte social do município, né, que é uma coisa que eu me identifico muito.

 Como é que você se encontrou profissionalmente nesse trabalho que sabemos demanda muita persistência, muita paciência, né, [risos] e disposição de luta?

 Num primeiro momento, eu confesso que eu tive muito medo. Fiquei assim: “Nossa, quando eu me deparei com a situação, com o tamanho da área, que são 2 milhões e meio de hectares, né, tem só as peculiaridades…” Mas quando eu cheguei na comunidade tradicional, que eu olhei para aquelas pessoas, que eu vi assim, “poxa, eu acho que eu posso fazer algo para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”. Ou a qualidade de vida pode até não não chegar tanto, não posso também achar que posso melhorar, mas eu posso contribuir assim para eles terem algumas coisas boas na vida, né? Então, nesse momento eu vi que eu acho que eu estava no local certo, né? Eu tenho um perfil de trabalho como gerente de unidade de conservação que eu acho que eu ainda deixo um pouco a desejar. Eu gosto de trabalhar a parte social, socioeconômica, e a parte de ação de monitoramento, que seria um pouco a fiscalização, eu ainda tenho umas travas, mas eu consigo desempenhar, com certeza. Hoje a gente luta para isso, né? A gente vai quebrando as barreiras de vez em quando.

 Agora eu queria que você compartilhasse com a gente um dia de campo. Como é que é o seu trabalho no dia a dia? Sai da SEMA, vai para onde, faz o quê?

Aqui a gente tem uma dificuldade logística. Então, a nossas unidades, nossas comunidades, eu ando de carro 100 km de estrada de chão, então assim, geralmente eu sou a única mulher na equipe, né? Isso não encontro como uma dificuldade, ao contrário, não me coloco na situação frágil, acho que eu sou me igualo a eles, né, em qualquer situação. Depois que a gente anda esses 100 km, né, de estrada de chão, geralmente a gente pega uma voadeira, passa dias, às vezes a gente passa dois dias, três dias na voadeira, ou então quando a unidade é mais próxima, a comunidade é mais próxima da atividade, a gente passa assim quatro horas, que é o que vai acontecer indo para a Barra de São Manoel.

 Agora, para quem não conhece voadeira, é bom explicar, né?

Voadeira é o nosso meio de transporte na água, né, que é voadeira de alumínio. Geralmente a nossa, ela mede 8 metros e é um motor 40, mas nem sempre foi assim. Eu já andei de ubá. O que que é o ubá? É um barco de madeira. Então, o que eu faço hoje em 2 horas, 12 anos atrás eu fazia em 8, 12 horas, né? E agora eu faço em 4, passei do rabeta, como se chama aqui, que é um motor bem artesanal, e já pelo um 15, pelo um 25, pelo um 30, e agora a gente tá no 40. Olha aí a evolução, então tamo indo. [risos]

 

Nossa, chegada ao século XXI verdadeiramente, né? Agora, qual foi a comunidade mais distante que você já visitou e que cenário você encontrou lá?

 A gente se depara com várias situações, né? A gente trabalha aqui com comunidades tradicionais, que é comunidade ribeirinhas, a gente trabalha com os indígenas, né? A gente vai fazer visita nos indígenas, quando a gente passa para as comunidades geralmente passa por algumas comunidades indígenas. Então já visitei várias, eu já tive comunidades que eu passei dois, três dias para chegar nessa comunidade, dentro do estado do Amazonas. Então você vê a distância que a gente anda, né? E para a gente chegar a essas pessoas, geralmente a gente passa por alguns conflitos, a gente passa pelas ações de grilagem de terra, né, de pesca ilegal, então esse nosso trabalho, ele requer um cuidado e uma atenção especial para a gente exercer esse trabalho que a gente vem desempenhando.

 

 Agora, algum perigo, alguma situação de risco assim que tenha deixado você em pânico ou em alerta?

Já passamos por vários. A gente faz ações de fiscalização, a gente acompanha alguns fiscais porque a gente não tem autonomia como fiscal, né, a gente é só gestor de unidade de conservação. Mas a gente já passou por situações que a gente às vezes não comenta, né, para não gerar assim um disse me disse, mas a gente já teve ações de fiscalização, a gente se deparou com grilagem de terra, a gente se depara com garimpo, né, a gente recebe ameaças… Nossa, a gente às vezes chega numa placa que tá demarcando a nossa unidade, ela tá toda grifada de de bala, [risos] ou então a gente chega dentro da unidade, a gente se depara com mansões dentro da nossa unidade e a gente tem que fazer a ação, a gente tem que ir lá, a gente tem que conversar… Então assim, realmente a gente já teve situações que eu posso te dizer que a gente pensou um pouco, mas a gente sempre dá conta do recado.

 

 Brava guerreira, Aldeiza Lago! Honra e glória das Amazônias. Viva Maria!

 




Source link

RELATED ARTICLES

Most Popular

Recent Comments